ESCOLHA PROFISSIONAL: DIFICULDADES E CONSTANTES MUDANÇAS

 

 

TESTES VOCACIONAIS

OBJETIVOS:

- Clarificar o vestibulando, inicialmente quanto às três áreas existentes, acompanhando a organização dos cursos pré-vestibulares: humanas, biológicas e exatas.

- Refletir, auxiliando o aluno a perceber quais são seus desejos e suas reais possibilidades.

ASPECTOS DE ORDEM PRÁTICA:

Aplicação de testes específicos como um dos instrumentos, que abordará os aspectos: cognitivo (intelectual), afetivo e habilidades.

FINALIZAÇÃO:

Discussão oral do que foi percebido com entrega de relatório escrito sobre as impressões captadas. Não haverá afirmações quanto a uma profissão e sim quais os caminhos mais relevantes para as características que o aluno apresenta; citações orientadoras, desmistificando alguns desejos (se for o caso) que ele tenha mas inviáveis de serem conquistados por apresentar internamente, outras tendências.

DURAÇÃO:

Cerca de oito sessões podendo variar uma ou duas a mais ou a menos.

Cada sessão com duração de sessenta minutos.

O fato de inúmeros caminhos profissionais terem sido abertos no decorrer das últimas décadas, propiciou maiores dúvidas quanto a esta opção. O mundo adulto, fruto de uma cultura que busca cada vez mais agilizar processos, deposita no ombro do adolescente esta decisão final.

Não posso deixar de pontuar a contradição (com raras exceções) desta expectativa, tendo em vista que até então, estes mesmos adolescentes, nunca haviam se deparado com situações de escolha. Via de regra freqüentaram colégios eleitos pela família, seguindo todos os passos determinados pela sociedade: pré-escola, primeiro grau e segundo grau.

Pressionados pelas circunstâncias, escolhem quase que aleatoriamente, solucionando a questão de maneira imediatista. Concomitantemente, além desta resposta que devem dar aos pais, familiares e colegas, não nos esqueçamos de que o clima montado (satisfação , sensação de estar com missão cumprida por parte da família, alegria de ver o nome na lista de aprovados, comemorações e aplausos, conclusão do segundo grau e portando fim do grupo, etc.) leva o indivíduo a decisões mais rápidas, intempestivas, inconseqüentes, elegendo em grande parte das vezes, várias áreas até desconexas entre si. Resolvem portanto duas questões: oferecem a opção que lhes cobram e participam do regozijo que todos gostamos de ter. Prestam várias faculdades ao mesmo tempo, áreas distintas, com um só objetivo: entrar numa faculdade.

Evidentemente não existe nenhum plano consciente em relação a estas atitudes pois tentam apenas responder às reinvindicações que lhes fazem. Contraditoriamente, esta maneira apressada de resolver uma problemática tão complexa tem trazido conseqüências opostas à intenções primeiras, tendo em vista que o número de desistência após dois ou três anos de universidade tem aumentado consideravelmente.

Mesmo considerando que nada é irreversível, o fato de prematuramente querer definir a vida profissional, traz ao adolescente dificuldades antes não cogitadas: consegue perceber tardiamente que não se identifica com a opção feita; portanto, deve parar. Recomeça outro curso preparatório? Tem agora clareza do que busca? Como reagirão seus pais ao saberem da decisão, tendo em vista que já investiram em expectativa?Os pais que acataram a decisão, acreditando aliviados que os filhos captaram a necessidade desta definição, não receberão com o mesmo humor esta segunda decisão: parar e recomeçar. Se exigiram maturidade dos filhos, argumentando que estava na hora de se definirem profissionalmente, tentarão demovê-los desta idéia pois esta atitude não compactua com a expectativa lançada.

Portanto, nova incoerência: querem ou não querem que os filhos se independam e tenham opinião própria? Ou trata-se de simplesmente desejos de que as coisas se ajeitem o mais rápido possível quase que fechando a etapa das preocupações?

Minha intenção,absolutamente não é a de criticar a posição que os pais tomam. Sei o quanto é difícil ajudar os filhos neste momento. Estou pontuando que é uma fase crítica, difícil, que envolve todo o clima familiar com emoções mescladas (tensões,alegrias, frustrações, decepções, encontros e desencontros, ganhos e perdas) e que é preciso muita ponderação e reflexão em cima deste projeto de vida.

Há situações idealizadas não compatíveis com as possibilidades ou características pessoais. Assim temos aqueles que fundamentam seu futuro espelhando-se na carreira paterna; há outros que ainda se mobilizam por escolhas consideradas clássicas ou nobres; os mais ambiciosos procuram fazer uma leitura de áreas que possibilitem maior ganho mensal; as profissões da moda contaminam outros estudantes.

Somando portanto estas duas variáveis (inexperiência em decisões, desconhecimento de si próprio, pressão para que as definições aconteçam e, o grande leque de opções que se descortina no panorama cultural), concluímos o quão difícil é esta fase e o quanto muitos a desconsideram, levando em conta apenas a ocasião em si mesma. A elucidação, a busca, a pesquisa não podem deixar de acontecer. Ir em busca, detalhar, esmiuçar em cima das três grandes áreas (biologia, exatas e humanas) após a identificação com uma delas, é condição sine qua non para fortalecer o candidato numa escolha com menos riscos.

Evidentemente, muitas vezes o candidato se defrontará com três ou quatro possibilidades, mesmo porque não é raro haver apenas pequenas diferenças entre algumas profissões, com aplicações comuns na vida prática, sem delimitação tão flagrante. A ênfase que quero dar é sobre a necessidade do processo de investigação, servindo para clarificar e amadurecer uma questão que deve estar até então em germinação.

Se foi institucionalizado o divórcio para casais que se desencontram, não há a mesma possibilidade quanto ao processo vincular com as profissões.

 

<< Volta ........................................................................Próximo Texto >>

 

Eneida Souza Cintra    Cons:  Rua Lisboa, 196    SP   Tel:30880957   Cel:91533705
E-Mail: eneidasouza@uol.com.br