O QUE É NEUROPSICOLOGIA?
DIFICULDADE ESCOLAR
Há fatos na história da humanidade que, por serem muito marcantes, estabelecem uma linha divisória entre o período anterior e o posterior ao seu acontecimento. Assim ocorreu com a industrialização, com a descoberta da penicilina, com o aperfeiçoamento da técnica de transplante de órgãos e, atualmente, com os achados da engenharia genética.
O fundamental são as conseqüências geradas, as quais, via de regra, revolucionam não só o corpo de doutrina da ciência, como as suas aplicações práticas, acabando por influir no dia a dia das pessoas.
Nesta linha de pensamento, quero analisar, sob certo prisma, o período pós-Freud, isto é, as repercussões da teoria psicanalítica no campo dos distúrbios, especificamente os de aprendizagem.
A partir do pioneirismo freudiano e de suas descobertas, seus seguidores passaram a enxergar nas teorias psicodinâmicas a solução para uma infinidade de situações, incluindo o baixo rendimento escolar na infância pois, via de regra, crianças com dificuldade de aprendizagem apresentam também distúrbios de conduta. Após o sucesso do tratamento psicoterápico ou ludoterápico, obtido em alguns casos, enfatizou-se o exercício da ludoterapia como única possibilidade de "resgate", sob a alegação da presença de um "bloqueio emocional"; isto é, a inquietude ou desatenção de determinado aluno decorreria de problema de ordem emocional e, consequentemente, seu aproveitamento escolar ficaria aquém do esperado.
Novas Descobertas
Após a constatação de que esta afirmação na prática, não era totalmente verdadeira uma vez que, submetidos a este tipo de tratamento, nem todas as crianças solucionavam seus problemas de aprendizagem, uma nova hipótese relativa à origem do " déficit" na aprendizagem recaiu sobre o contexto familiar sendo, então, implantada e enaltecida a terapia familiar, muitas vezes associada ao processo de tratamento individual da criança, que ainda deveria ser mantido.
Atualmente,com o advento de novas pesquisas fundamentadas através de especialistas verifica-se que mesmo apresentando distúrbios de comportamento, muitas dessas crianças devem ser consideradas como portadoras de distúrbios orgânicos, ligados a disfunção neurológica extremamente leve, quase imperceptível, mesmo aos olhos do pediatra, pois suas atitudes comportamentais não esperadas decorrem da incapacidade ou inabilidade específica para aprender.
Esta mudança de foco na relação causa-efeito relativa à origem dos distúrbios de aprendizagem vem se acelerando, na medida em que novas teorias sobre a organização cerebral se desenvolvem.
Isto absolutamente não significa negar a existência de casos calcados apenas e tão somente na área emocional, e nem destituir a terapia familiar de seu "status", pois se faz necessário a presença deste trabalho em muitas situações. O meu intuito é esclarecer a importância da abordagem neuropsicológica quando o "déficit" escolar se estabelece.
Distúrbios específicos de aprendizagem
No caso dos "distúrbios específicos de aprendizagem" , torna-se muitas vezes difícil sua identificação. O comprometimento aparentemente leve, uma vez que não se trata de deficiência mental generalizada, ou outros quadros mais ostensivos, como a Síndrome de Down ou paralisia cerebral, confunde o profissional da área médica ou psicológica no momento do diagnóstico.
O fato de se descobrir que, em muitos casos "a incapacidade de aprender estava relacionada a falhas no desenvolvimento ou a problemas de percepção visual ou auditiva" (Tarnopol, 1980, pág. 24) explica a ênfase dada ao aspecto emocional, pois estes tipos de comprometimento, no geral, não são constatados pelo médico clínico e também não se revelam através de EEG tradicional. Conclui-se, portanto: " os distúrbios desta criança nada tem de neurológico". Como, na maioria das vezes, até a época da alfabetização os sintomas foram subestimados por não terem sido aberrantes e, uma vez que o desenvolvimento psicomotor ocorreu dentro do esperado quanto à fala, marcha, etc, a família acaba aceitando o "emocional" sem maiores questionamentos.
Aliás, quero registrar quão comum é a não valorização de sintomas "menores", delegando-se para o futuro, para a natureza ("quando atingir mais maturidade, sozinho vai superar...") a solução de "probleminhas" que, por não serem tratados desde cedo, poderão agravar os incipientes quadros de dislexia, disgrafia, disortografia, discalculia e outros.
Embora esteja pontuando como exemplos os casos que até então foram os mais intrigantes (crianças aparentemente normais com baixo rendimento escolar), a neuropsicologia também atinge, no que diz respeito ao tratamento, casos mais explícitos, com diagnósticos mais evidentes como, por exemplo, o de portadores de lesão cerebral, focalizando-se a estimulação nesta ou naquela área mais prejudicada.
Com tratamento clínico específico, se não forem sanados, com certeza apresentarão boa melhora, na maior parte dos casos.
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Eneida
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